Reforço para PSF do Distrito Federal

Saúde da Família -Helena Mader - Da Equipe do Correio Brasiliense Criado há 15 anos para melhorar a atenção básica, sistema em que médicos e enfermeiros atendem em casa cobre apenas 6% da população do Distrito Federal. Serviço será reforçado com novas contratações Os pacientes com tosse, febre ou dores pelo corpo — que contribuem para superlotar ainda mais as emergências dos hospitais públicos — passarão a ser atendidos perto de casa, por médicos, enfermeiros e agentes da comunidade. O Programa Saúde da Família, que oferece assistência médica para casos mais simples, tem hoje 44 equipes completas, que cobrem apenas 6% da população do Distrito Federal. Para melhorar a saúde primária e a prevenção de doenças, o governo vai retomar o programa, completar as 31 equipes que estão incompletas e criar mais 120 grupos de profissionais. Com isso, o índice de cobertura dos brasilienses vai chegar a 39%. A medida vai ajudar a desafogar o pronto-socorro dos hospitais e garantir um atendimento mais rápido e digno. O Programa Saúde da Família foi criado há 15 anos pelo Ministério da Saúde para melhorar a atenção básica nos municípios e representou um novo modelo para o atendimento à população. Em vez de receber os pacientes nos hospitais e curá-los, o foco passou a ser prevenir doenças a partir de medidas de proteção à saúde e atenção integral. Com o programa, os médicos e enfermeiros atuam na comunidade e conhecem de perto os problemas de cada uma das famílias. Uma pessoa com uma problema cardiológico, por exemplo, é atendida na própria casa ou em um posto de saúde próximo. Se o problema se agravar ou se o médico considerar que é preciso uma maior estrutura de atendimento e equipamentos mais sofisticados, o paciente é encaminhado a um hospital. Se não, toda a assistência é prestada na própria comunidade. Uma equipe do Saúde da Família é formada por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem, cinco agentes de saúde comunitários, um dentista e um técnico em saúde bucal. Cada grupo deve atender, no máximo, quatro mil pessoas. O custo para manter uma equipe completa não é alto e consiste, basicamente, no pagamento de salários. Os 11 profissionais de saúde de cada grupo do progra ma recebem, juntos, cerca de R$ 24 mil por mês. O Ministério da Saúde repassa, mensalmente, R$ 10 mil ao GDF para cada equipe completa. O objetivo do governo local é chegar ao fim de 2009 com quase 600 grupos de profissionais de saúde em atuação e atingir, assim, 50% de cobertura da população da capital federal. Hoje, o gasto mensal com o salário dos servidores do Saúde da Família não chega a R$ 1,8 milhão. Quando as 195 equipes estiverem em atuação, o investimento chegará a R$ 4,6 milhões por mês. Desse total, o governo federal vai financiar cerca de R$ 1,95 milhão por mês. Dos funcionários em atuação, seis grupos trabalham na Estrutural, única região com 100% de cobertura. O posto de saúde da cidade, inaugurado em novembro, serve de abrigo para os médicos, enfermeiros e agentes. São feitas visitas domiciliares e consultas no centro de saúde. Será referência para todo o Distrito Federal. REFORÇO NO TIME Como são formadas as equipes : Um médico Um enfermeiro Cinco agentes comunitários de saúde Dois auxiliares de enfermagem Um dentista Um técnico em higiene bucal Como é hoje: 44 equipes completas 31 equipes incompletas Como ficará : Serão 195 equipes completas 120 novas equipes Os grupos incompletos terão mais profissionais Áreas com prioridade de novas equipes: Itapoã Riacho Fundo II São José Mestre d’Armas Arapoanga Samambaia Planaltina Programa reduz filas de espera nos hospitais públicos O aposentado João Português de Souza, 82 anos, e a mulher, Hilda Queiroz de Souza, 77 anos, estão entre os beneficiados pelo Saúde da Família. Eles moram em uma rua sem asfalto na Estrutural e em outubro contraíram tuberculose. Foram atendidos no posto e devidamente medicados. Como o tratamento precisa ser contínuo, um agente de saúde vai à residência do casal três vezes por dia apenas para checar se João e Hilda tomaram os remédios corretamente. “Ficou bem melhor agora que o médico vem até a nossa casa. Para mim, é complicado ir ao hospital por conta da minha idade”, conta João. A preocupação com a medicação do casal não é em vão. Como a doença é facilmente transmitida, o cuidado correto evita a infecção de outros. Além de garantir a eficiência do tratamento, o programa ajudou, nesse caso, a esvaziar o pronto-socorro dos hospitais. “O movimento na emergência do Hospital do Guará diminuiu nos últimos dois meses, desde que o programa se consolidou na Estrutural”, conta a diretora de Saúde do Guará, Jocilda Albuquerque. A diretora de Atenção Primária e de Saúde da Família da Secretaria de Saúde, Jacira Abrantes, aposta que o programa terá impactos positivos no sistema público. “No Saúde da Família, os médicos e enfermeiros se integram à comunidade e conhecem as pessoas pelo nome. A idéia é fazer prevenção de doenças e cuidar de casos mais simples, para que os hospitais fiquem apenas com as situações mais complexas”, explica Jacira. Mas a diretora conta que ainda existe preconceito com relação aos médicos do Saúde da Família. Jacira lembra, entretanto, que os profissionais estão aptos a lidar com um leque amplo de situações. “Muitas mães preferem procurar um pediatra no hospital do que consultar um médico da família, que é generalista. Mas isso é um erro. As equipes estão qualificadas para fazer esse atendimento. Se o médico constatar que o caso é mais complexo, ele encaminha o paciente para um Núcleo de Apoio o u para um hospital”, destaca Jacira Abrantes. Presidente da Associação Brasiliense de Medicina de Família e Comunidade, Tiago Neiva é um entusiasta do programa. Segundo ele, estudos mostram que 75% a 90% dos casos atendidos pelos médicos de família são resolvidos sem a necessidade de se buscar um especialista. “É uma abordagem revolucionária. O médico de família vê o indivíduo como um todo e não faz apenas atendimentos para sanar problemas. Um projeto de saúde da família bem consolida do tem papel importante na melhora da rede pública”. O especialista lembra que o programa já foi elogiado internacionalmente e serviu de parâmetro para a Organização Mundial da Saúde. “Países como a Noruega, a Finlândia, Inglaterra e Portugal investiram muito na medicina de família e tiveram bons resultados. Aqui no DF, precisamos de mais estímulos para atrair bons profissionais para essa carreira, além de capacitação permanente”, afirma. Idéia é fazer prevenção e cuidar de casos mais simples, para que os hospitais fiquem com os mais complexos Jacira Abrantes, diretora de Atenção Primária e de Saúde da Família da Secretaria de Saúde

Data da Publicação : 20/01/2009